No sábado, 24 de outubro, os jovens da Assprom visitaram a Aldeia Katurama, em São Joaquim de Bicas (MG). A iniciativa ocorreu em parceria com o Sesc-MG, por meio do Programa Sesc na Real. Durante a visita, os participantes conheceram tradições indígenas e vivenciaram momentos de troca de saberes.
A comunidade recebeu os jovens sob a liderança da Cacica Ãngohó. Em seguida, eles participaram da roda de conversa “Território, cultura e pertencimento: o que nos une?”. O educador indígena Ubirajara Pataxó conduziu o encontro e apresentou aspectos da história e da cultura dos povos Pataxó e Pataxó Hã-hã-hãe.
Durante o diálogo, Ubirajara também abordou os estereótipos que cercam as populações indígenas. Além disso, compartilhou a trajetória de luta e resistência desses povos pela garantia de seus direitos. Segundo o educador, as comunidades enfrentam desafios como conflitos com posseiros e contaminação dos territórios. Ele também explicou que o povo Pataxó possui características seminômades e conta com 43 aldeias no Nordeste.
Outro tema importante foi a educação indígena. Na escola comunitária, os estudantes conciliam o ensino da língua e da cultura Patxohã com os conteúdos da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Dessa forma, a comunidade mantém suas tradições e também garante o acesso ao currículo convencional.
Cultura, memória e pertencimento
A preservação da língua Patxohã também ganhou destaque na conversa. Atualmente, a aldeia vive um processo de resgate linguístico. Isso porque, durante o período de colonização, muitos indígenas passaram a esconder o próprio idioma por medo da repressão. Nesse contexto, Ubirajara compartilhou uma lembrança familiar: quando seu pai sentia falta de conversar em Patxohã, chamava a irmã para “cortar língua”. A expressão fazia referência ao momento de falar o idioma entre si.
Além da língua, os jovens conheceram tradições Pataxó relacionadas aos cortejos e às cerimônias de casamento. A programação também incluiu uma trilha ecológica pelo território. Em seguida, os participantes experimentaram atividades como oficina de arco e flecha, cabo de guerra e artesanato em cipó.
A Cacica Ãngohó também destacou a importância do combate ao preconceito e do respeito às diferenças. Durante a conversa, ressaltou o papel da Aldeia Katurama como espaço de acolhimento a grupos minoritários. Assim, reforçou valores como união, respeito e pertencimento.
A visita proporcionou aos jovens um contato direto com a história, os costumes e os desafios dos povos originários. Além de ampliar conhecimentos, a experiência incentivou reflexões sobre diversidade cultural, respeito e cidadania. Afinal, reconhecer diferentes culturas é fundamental para construir uma sociedade mais consciente e inclusiva.
